01/07/14
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Projetando o meu tratamento acústico – parte 1

Iniciarei o meu primeiro projeto de tratamento acústico, e como não poderia ser diferente, será no meu home-cobaia-studio.

O objetivo desta série de artigos é ser prático e de fácil entendimento. Portanto, não vou abordar tão profundamente a teoria do tratamento acústico, mas ficarei à disposição para responder às dúvidas. Se você gostar, ajude-nos na divulgação! 🙂

Antes de iniciar, algumas considerações:

  • -Não sou engenheiro. As técnicas que vou aplicar aqui eu estudei com o prof. Denis Zasnicoff, na Academia do Produtor Musical.
  • Tratamento acústico não é a mesma coisa que isolamento acústico, mas podemos considerar o isolamento acústico uma fase do tratamento.
  • Se você não tem problemas com barulho, não gaste dinheiro com isolamento acústico. Tenha em mãos um bom decibelímetro.

Posicionamento de monitor antes do Tratamento Acústico


Antes de começar a medir a resposta da sala, o primeiro passo (e talvez o mais importante) é ouvir onde seus monitores de áudio soam melhor.

Escolher a forma como você irá montar seus monitores de áudio irá economizar tempo e dinheiro no seu tratamento. Lembre-se: o que realmente importa é que o som soe da melhor forma possível na hora de mixar.

Acredito que, como eu, a maioria dos aprendizes de produtores possuem um cômodo vazio em casa, em formato retangular. O meu home studio possui 3,5m de largura por 4,5m de comprimento, e 2,4m de altura (também conhecido como “pé direito”).

Testei o posicionamento dos meus monitores das seguintes maneiras:

Tratamento Acústico - Posição A

Posição A – monitores na parede mais curta do estúdio

Tratamento Acústico - Posição B

Posição B – monitores na parede mais longa do estúdio

Executei a música no mesmo volume em ambas as posições, e caminhei pelo meu estúdio. Fiz um teste também com ruído rosa, e pude identificar algumas faixas de frequências que se cancelavam ou somavam.

Com as audições, minha conclusão foi que a posição B soou mais equilibrada.

Medição acústica – a resposta gráfica da sala

Após testar os posicionamentos dos monitores, fiz medições acústicas com um microfone omnidirecional. Usei o meu microfone Behringer ECM8000, mas pode ser qualquer microfone omni de medição, até mesmo os de decibelímetros com saída de áudio.

O objetivo do tratamento acústico é tornar mais plana possível a resposta da sala (com pouca variação da intensidade das frequências). Eu busco um equilíbrio entre as oitavas.

Abaixo, seguem os resultados das medições:

Resposta da Sala - Gráfico A

Resposta da Sala – Gráfico A – parede de menor tamanho do estúdio

A análise do gráfico da posição A conclui que existe uma variação grande nas frequências abaixo de 350 Hz, um ganho nas frequências em torno de 975 Hz e uma resposta não tão irregular nos médios e médio-agudos.

Resposta da Sala - Gráfico B

Resposta da Sala – Gráfico B – parede mais comprida do estúdio

Nesta segunda medição, a conclusão que chegamos é coerente com o que eu já havia ouvido no teste de posicionamento: a sala responde um pouco mais controlada nos graves abaixo de 350 Hz, e similar à medição anterior nas demais frequências.

É importante dizer que:

  • O microfone ficou posicionado na posicão dos ouvidos de quem está mixando – é exatamente neste ponto que busco o maior equilíbrio sonoro.
  • Respeitei a regra do triangulo equilátero para posicionar os monitores. Sempre posicione os monitores com uma distancia igual entre eles e entre o monitor e você, conforme a figura abaixo.

Finalizando o primeiro estágio

Este é o primeiro artigo, e busquei mostrar como fiz as medições acústicas e quais foram os primeiros passos que adotei para iniciar meu projeto acústico.

No próximo artigo, vou falar mais detalhadamente sobre o objetivo do tratamento acústico e como calcular os absorvedores.

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