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Série Tirando Leite de Pedra - Artigo 1

Tirando Leite de Pedra #1 – “Só Mais Uma Existência”

A partir de agora você está convidado a acompanhar o Tirando Leite de Pedra, uma série de artigos onde eu, Laércio Silva, vou contar pra vocês como fiz para compor, arranjar e gravar em casa uma música do zero.

Pra quem ainda não me conhece, aqui vai um resumo da minha biografia: sou produtor musical, formado pela Anhembi Morumbi, e venho realizando trabalhos como produção musical, arranjo, produção artística, eventos culturais e workshops.

Tirando leita de pedra #1: Só Mais Uma Existência

Quando eu e meu amigo Wesilei Pessoa compusemos essa música somente no violão – como normalmente todo o planeta compõe -, considerei ela aberta para “experimentações artísticas”.

Como assim? Bem, fazer o que quiser, não na parte da composição musical, mas na gravação.

Antes de ir para a próxima linha, ouça a música aqui:

Uma chave de boca, uma guitarra, cabides…


Primeiro, sabe esse bumbo aí? Então, é uma guitarra… Para conseguir esse som, abafei as cordas com a mão esquerda e, com o dedão da mão direita, bati bem próximo à ponte. A nota fundamental pode ser definida por onde você abafa com sua mão esquerda.

Essas percussões foram feitas com o violão. Foram gravadas duas: uma aparece a todo momento na música, a outra somente no refrão.

Meu violão tem a captação Fishman Presys Blend, com um piezo e um microfone. Usei somente o microfone e bati em partes específicas do violão para cada tipo de som que queira.

O baixo também foi feito com violão. Aqui, usei minha pedaleira Digitech RP1000 com o pitch em 1 oitava para baixo. Achei que ele manteve o som aveludado do violão – foi uma tentativa de buscar o som de um baixolão.

leite de pedra - usando cabides como instrumento musicalHá um caxixi ao lado direito da mix durante toda a música, não é? São cabides amarrados de forma que se movam pouco quando balançados. Captei com o violão! Sim, o microfone que tem dentro do violão.

Esse som de metal batendo durante o refrão é metal batendo mesmo! Uma chave de boca grande senda batida com um pedaço de metal (usei a alavanca da guitarra).

Essa foi a parte experimental da música. Os outros instrumentos – guitarra, violão e pandeirola – são os instrumentos de verdade sendo captados com um AKG C420. O som de hihat e caixa são do EzDrummer 2.

O raciocínio por trás da composição

A ideia do bumbo ser feito pela guitarra veio de brincadeiras com o recurso de loop da minha Digitec RP1000 (videozinho abaixo para exemplificar). É uma ótima maneira de melhorar sua manipulação de áudio e aguçar a criatividade.

A ideia de percussão no violão é influência do estilo “percussive acoustic“, que explora percussivamente sons de partes específicas do violão. A chave e o cabide são para ocupar o espaço de uma cúpula de ride e um caxixi ou hihat, respectivamente. Não querendo chegar no mesmo som, mas pensando no mesmo conceito.

Mixagem e Masterização

O projeto foi feito no Studio One 3 e usei somente seus plugins nativos.

Guitarra/Bumbo

Na guitarra/bumbo usei um eq, compressor e limiter, nessa exata ordem. Um low pass em 1.59k ajudou a caracterizar o som de guitarra percutida. A região de 110Hz com quase 7dB de ganho ajudou a dar peso e quase 5dB em 455Hz ajudou na definição – os dois com Q (abertura) padrão por volta de 1. Tinha uma sobra na região dos 80Hz que resolvi diminuir 6,5dB. A baixo disso não havia muita informação, mas não senti a necessidade de limpar essa região.

leite de pedra - Equalização do Bumbo

Usei uma “leve” compressão, exatamente 10.9:1 de Ratio com o Threshold em -35dB. Attack lento Release rápido para dar a “porrada” do bumbo. O limiter para segurar tudo isso. Gosto muito de usar o compressor para modificar o timbre e não somente como nivelador de volume. Quer aprender um pouco mais sobre como utilizar o compressor? Visite o site do grande mestre Paulo Anhaia clicando aqui.

O Baixo

O baixo, como havia dito anteriormente, é o processamento da RP1000 com o efeito de pitch em -1 oitava, e não usei mais nada da pedaleira. Na DAW subi 4.39dB em 90Hz, aproveitei o espaço que estava vago do bumbo, diminui bastante em 156Hz e 4.50kHz, por volta de 5 e 7dB. Em 4.50kHz estava muito o som da palheta nas cordas e estava me incomodando. Diminuí também um pouco na região de 850Hz – somente 1.8dB para suavizar o som.

Um compressor com attack bem rápido e release lento foi bom para engordar o som e ajudar na modelagem de baixo acústico. O ratio ficou em 9:1, porém o threshold ficou em -12dB.

Percussões

As percussões precisaram de equalizações mais drásticas e compressão forte. As taxas de compressão foram praticamente idênticas: ratio em 10:1, threshold por volta de -28dB, attack bem rápido e release lento. Os eqs são os das imagens abaixo. Reparem na curva criada.
leite de pedra - Equalização da Percussão (lado R)

leite de pedra - Equalização da Percussão (lado L)

Para o cabide foi feito somente uma limpeza nos 786Hz pra baixo e um high shelf de 9dB e meio em 2kHz para dar aquela definida com o agudo gostoso.

Com chave de boca fiz apenas a limpeza em 1.74kHz e um compressor com attack lento e release rápido pra sentir a “pauladinha” do metal. Detalhe: tive que usar o pad -20dB no microfone AKG 420, pois usei perto para pegar menos ambiência e a chave faz barulho!

E o resto

O violão nylon foi bem comprimido – já perceberam que gosto de compressão, né? Ratio em 10:1, attack rápido e release lento, e threshold em -27dB. Puxou bastante ambiência, mais do que calculei, mas gostei da pegada que ficou.

As guitarras que vocês ouvem com som de guitarra mesmo foram feitas pela bateria. Zueira! Apenas pluguei na Digitech RP1000 e gravei pela saída XLR. Assim, o som foi pronto!

Eu senti falta de uma caixa e não sabia o que usar no lugar para dar a “porrada” contrapondo o bumbo, então usei a caixa do EzDrummer 2. Aproveitei e usei o hihat no lado oposto do cabide.

Concluindo o trabalho

Como puderam perceber, é mais conceitual do que pouco recurso. Sempre gostei da ideia experimentalista e sair da “receita de bolo” da música moderna.

Este projeto pode ser acompanhado pela nossa página do Facebook Flash do Reverso Paralelo, onde colocarei outras músicas e links para ouvi-las nas várias plataformas existentes nessa internet de meu Deus.

Espero que tenham curtido esse trabalho!

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